É péssimo quando lemos um artigo falando de exploração ou seja lá qualquer coisa de ruim sobre qualquer assunto, mas é pior ainda quando ouvimos falar de maus tratos a trabalhadores no ramo em que a gente trabalha. Hoje estava voltando do meu trampo e no ônibus, como estava sem sono, peguei a Piauí do mês passado (pra quem não conhece, é uma revista muito boa, acredito que seja a que chega mais próxima da neutralidade) e li um artigo falando sobre Dubai. Bom, aí vai:
O jornalista retrata o que acontece e como é a forma de pensamento daqueles que vivem lá, e depois de ter falado do extremo autoritarismo no país, ele começou a descrever como foi erguido aquele paraíso para os que gostam e tem dinheiro para gastar. Primeiro, só pra constar, depois desse surto de crescimento da construção civil no país, a população local soma apenas 5% de todos os habitantes que lá moram hoje, e também a imensa maioria é de trabalhadores escravos vindos ao Emirado com a promessa de trabalho e com um ótimo salário (cerca de 1300 reais para trabalhodores das obras) numa jornada de 8 horas diárias. Tá certo, tudo isso a TV já mostrou, assim como as magníficas edificações erguidas nesse país, mas não vim aqui pra falar disso, nem preciso também. Mas o que me deixa indignado é a forma com que esses trabalhadores são tratados depois de terem feito Dubai aparecer no mundo, depois de serem enganados pela oferta de trabalho ao chegarem a Dubai; as empresas confiscam seus passaportes, comunicam-nos que terão uma jornada de trabalho de 14 horas ganhando um quarto do que havia sido prometido a eles, e como se isso não bastasse, trabalham sob um calor que pode chegar a 55ºC (lembrando que não se recomenda aos turistas ficarem nem cinco minutos sob um sol desses), e assim trabalham as 14 horas com apenas uma de descanso a tarde. Quando pensei que iriam descansar tranquilamente fui surpreendido com a moradia deles. Quilometros de viajem até chegarem a tal ''moradia'', um parque de prédios de concreto que abrigam muitos trabalhadores, amontoados em beliches triplas, o quarto não é equipado com nenhum sistema de ventilação, banheiros que sempre estão entupidos por falta de manutenção, enfim, eles ''descansam'' passando calor e se coçando em consequência dos mosquitos provenientes dos sanitários.
Isso me abalou de tal forma, porque nunca tinha visto algo parecido, pelo menos nesse ramo de trabalho, é um descaso sem tamanho com as pessoas que ''só'' fizeram com que dubai fosse a Dubai, fez com que eu até perdesse a pouca vontade que tinha de conhecer o país.
Sei que não está bem explicado tudo nesse post, quem quiser saber detalhadamente tudo pode ler a Piauí de Junho.
Post para mostrar minha indignação, pelo meu arrependimento total de um dia ter escolhido trabalhar como engenheiro civil e colaborar para que isso aconteça, mesmo que numa escala menor aqui no Brasil.
"A cidade não pára, a cidade só cresce, o de cima sobe e o de baixo desce"
Chico Science e Nação Zumbi.
O jornalista retrata o que acontece e como é a forma de pensamento daqueles que vivem lá, e depois de ter falado do extremo autoritarismo no país, ele começou a descrever como foi erguido aquele paraíso para os que gostam e tem dinheiro para gastar. Primeiro, só pra constar, depois desse surto de crescimento da construção civil no país, a população local soma apenas 5% de todos os habitantes que lá moram hoje, e também a imensa maioria é de trabalhadores escravos vindos ao Emirado com a promessa de trabalho e com um ótimo salário (cerca de 1300 reais para trabalhodores das obras) numa jornada de 8 horas diárias. Tá certo, tudo isso a TV já mostrou, assim como as magníficas edificações erguidas nesse país, mas não vim aqui pra falar disso, nem preciso também. Mas o que me deixa indignado é a forma com que esses trabalhadores são tratados depois de terem feito Dubai aparecer no mundo, depois de serem enganados pela oferta de trabalho ao chegarem a Dubai; as empresas confiscam seus passaportes, comunicam-nos que terão uma jornada de trabalho de 14 horas ganhando um quarto do que havia sido prometido a eles, e como se isso não bastasse, trabalham sob um calor que pode chegar a 55ºC (lembrando que não se recomenda aos turistas ficarem nem cinco minutos sob um sol desses), e assim trabalham as 14 horas com apenas uma de descanso a tarde. Quando pensei que iriam descansar tranquilamente fui surpreendido com a moradia deles. Quilometros de viajem até chegarem a tal ''moradia'', um parque de prédios de concreto que abrigam muitos trabalhadores, amontoados em beliches triplas, o quarto não é equipado com nenhum sistema de ventilação, banheiros que sempre estão entupidos por falta de manutenção, enfim, eles ''descansam'' passando calor e se coçando em consequência dos mosquitos provenientes dos sanitários.
Isso me abalou de tal forma, porque nunca tinha visto algo parecido, pelo menos nesse ramo de trabalho, é um descaso sem tamanho com as pessoas que ''só'' fizeram com que dubai fosse a Dubai, fez com que eu até perdesse a pouca vontade que tinha de conhecer o país.
Sei que não está bem explicado tudo nesse post, quem quiser saber detalhadamente tudo pode ler a Piauí de Junho.
Post para mostrar minha indignação, pelo meu arrependimento total de um dia ter escolhido trabalhar como engenheiro civil e colaborar para que isso aconteça, mesmo que numa escala menor aqui no Brasil.
"A cidade não pára, a cidade só cresce, o de cima sobe e o de baixo desce"
Chico Science e Nação Zumbi.
2 comentários:
É isso, Lu.Trabalho escravo. Tratar gente como coisa, pior q bicho, por grana, por poder, por puro abuso.
Q bom q se preocupa com essas coisas.
Teu pensamento é claro e humanista.
Muito bom...prossiga, tá?
Bj, Denise.
E isso jamais mudará enquanto for interesse dos mais fortes continuarem assim... =/
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