quarta-feira, 8 de julho de 2009

Miséria e Fome ou Indignação #2.

Hoje fui à rodoviária de São Paulo para comprar passagem para viajar no feriado, e como ainda não tinha almoçado parei no Mister Sheik, na rodoviária mesmo, para comer alguma coisa. Vi uma família ao meu lado almoçando comida mesmo, e quando estava começando a comer olhei para o lado e vi os três da família se levantando. Até aí normal; o que me deixou inconformado foi o "simples" fato de os três terem se levantado e ido embora depois de terem dado apenas duas ou três garfadas na comida.
Sabe, às vezes me passa pela cabeça como as pessoas podem jogar tanta comida fora, sendo que aqui do lado mesmo tem muitas famílias que dariam tudo por um prato de comida. Eu não sou como aquelas pessoas que pensam logo na África quando se fala em fome, pois aqui do lado mesmo tem muitas pessoas que passam a mesma ou até mais fome que o povo da África. E o fato de ver as pessoas jogando quilos e mais quilos de comida fora me faz pensar em um dia juntar todas as comidas que são deixadas em pratos nas praças de alimentação, principalmente, e dar a essas pessoas que passam tanta fome.
Enganchando nesse assunto de fome, hoje também li numa revista (que não me lembro o nome) uma reportagem sobre o José Padilha (diretor de Tropa de Elite) falando sobre o mais novo documentário dele, Garapa, onde ele retrata a fome crônica de uma maneira fria e realista. O documentário se passa no sertão e periferia do Ceará, onde Padilha acompanha três famílias durante um mês (acho), e assim deixa mais evidente ainda a situação de muitas famílias do Brasil, que dão uma mistura de água e açúcar (Garapa) para seus filhos, para tentar, assim, enganar sua fome, porque comida não há na mesa.
Queria que todas as pessoas vissem esse filme (que eu ainda não vi) para ver se assim aprendem a não despediçar comida, por saber que alguém muito mais perto do que elas pensam está realmente passando fome, nesse exato momento.

Miséria e Fome - Inocentes.
Acho que o nome desse álbum serve bem como título para esse post.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Indignação.

É péssimo quando lemos um artigo falando de exploração ou seja lá qualquer coisa de ruim sobre qualquer assunto, mas é pior ainda quando ouvimos falar de maus tratos a trabalhadores no ramo em que a gente trabalha. Hoje estava voltando do meu trampo e no ônibus, como estava sem sono, peguei a Piauí do mês passado (pra quem não conhece, é uma revista muito boa, acredito que seja a que chega mais próxima da neutralidade) e li um artigo falando sobre Dubai. Bom, aí vai:
O jornalista retrata o que acontece e como é a forma de pensamento daqueles que vivem lá, e depois de ter falado do extremo autoritarismo no país, ele começou a descrever como foi erguido aquele paraíso para os que gostam e tem dinheiro para gastar. Primeiro, só pra constar, depois desse surto de crescimento da construção civil no país, a população local soma apenas 5% de todos os habitantes que lá moram hoje, e também a imensa maioria é de trabalhadores escravos vindos ao Emirado com a promessa de trabalho e com um ótimo salário (cerca de 1300 reais para trabalhodores das obras) numa jornada de 8 horas diárias. Tá certo, tudo isso a TV já mostrou, assim como as magníficas edificações erguidas nesse país, mas não vim aqui pra falar disso, nem preciso também. Mas o que me deixa indignado é a forma com que esses trabalhadores são tratados depois de terem feito Dubai aparecer no mundo, depois de serem enganados pela oferta de trabalho ao chegarem a Dubai; as empresas confiscam seus passaportes, comunicam-nos que terão uma jornada de trabalho de 14 horas ganhando um quarto do que havia sido prometido a eles, e como se isso não bastasse, trabalham sob um calor que pode chegar a 55ºC (lembrando que não se recomenda aos turistas ficarem nem cinco minutos sob um sol desses), e assim trabalham as 14 horas com apenas uma de descanso a tarde. Quando pensei que iriam descansar tranquilamente fui surpreendido com a moradia deles. Quilometros de viajem até chegarem a tal ''moradia'', um parque de prédios de concreto que abrigam muitos trabalhadores, amontoados em beliches triplas, o quarto não é equipado com nenhum sistema de ventilação, banheiros que sempre estão entupidos por falta de manutenção, enfim, eles ''descansam'' passando calor e se coçando em consequência dos mosquitos provenientes dos sanitários.
Isso me abalou de tal forma, porque nunca tinha visto algo parecido, pelo menos nesse ramo de trabalho, é um descaso sem tamanho com as pessoas que ''só'' fizeram com que dubai fosse a Dubai, fez com que eu até perdesse a pouca vontade que tinha de conhecer o país.

Sei que não está bem explicado tudo nesse post, quem quiser saber detalhadamente tudo pode ler a Piauí de Junho.
Post para mostrar minha indignação, pelo meu arrependimento total de um dia ter escolhido trabalhar como engenheiro civil e colaborar para que isso aconteça, mesmo que numa escala menor aqui no Brasil.


"A cidade não pára, a cidade só cresce, o de cima sobe e o de baixo desce"
Chico Science e Nação Zumbi.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

como anda minha vida.

Muitas coisas aconteceram desde a última postagem nesse blog empoeirado, não me lembro de todas e nem vou relatar aqui todos os meus dias nesses últimos cinco meses (acho), mas enfim...
Minha vida nunca esteve melhor, estou trabalhando numa obra em Alphaville (longe, MUITO longe!) estou cansado todos os dias, quero dormir 14 horas por dia todos os dias quando eu acordo ainda de madrugada para ir trabalhar, tá certo que no trabalho nao tem muitas pessoas legais, mas as poucas que tem valem muita a pena acordar todo dia as 5:40 da manhã. Daqui a uma semana faço cinco meses de namoro, mas esse espaço não convém para uma coisa tão especial.
Desde o comço do ano venho perdendo amizades que achei que eu não perderia por coisas tão bobas, mas em contrapartida eu encontrei pessoas muito boas também, e também estou cada vez mais acreditando em amizades que antes eu achei que nem existiam mais, mas deixa pra lá.

Eu queria conseguir escrever algo legal aqui, aqueles textos elaboradíssimos, com assunto, e etc. algo que as pessoas ficassem com mais e mais vontade de ler, mas creio que isso é impossível para mim, ou talvez conseguirei isso quando eu menos esperar.

Minha vida está um nó, até ano passado eu estava decidido em tudo, eu começaria a trabalhar, faria cursinho novamente e prestaria Audiovisual na USP e ponto. Mas de um dia pro outro eu perdi a motivação de ir ao cursinho, não poderei mais prestar Audiovisual, por ser um curso em periodo integral, nem Arquitetura que era minha segunda opção, pelo mesmo motivo, e agora estou indo pro lado do design por ser um curso que tem a ver com desenho e com o meu técnico em edificações, mas ainda nada é certo. Ainda fica martelando na minha cabeça os milhares de cursos de fotografia que eu poderia fazer, ou os milhares de cursos de cinema que poderia fazer ao invés de querer fazer uma faculdade, mas já me fizeram entender que é melhor eu me formar em algo concreto e depois eu faço esse cursos por hobbie e quando eu tiver muito dinheiro no bolso me dedico inteiramente ao que mais me deixa feliz.

E só pra constar: não entendo a lógica desse mundo, onde somos escravos do trabalho, ganhamos dinheiro e a única coisa que fazermos com ele é pagar contas, e quando vamos realmente nos divertir com ele, simplesmente ele não está mais lá.

fim.